Sobre o filme
Em 1978, Gilberto Gil sobe ao palco de Montreux vestido de branco. Antes da primeira nota , ele apresenta Oxalá ao público europeu, afirmando uma cosmologia afro-brasileira que o Brasil da ditadura tentava apagar.
45 anos depois, o pianista Amaro Freitas retorna ao país após ser ovacionado no mesmo Festival. No avião é questionado por um passageiro brasileiro se toca em um grupo de pagode. O Brasil atravessou décadas, trocou governos, mas certos olhares permanecem.
MONTREUX atravessa 50 anos da história recente do Brasil, através do maior arquivo musical do mundo. Enquanto nossos museus queimam, a nossa memória sobrevive às margens do Lago Léman. O filme investiga essa contradição.




Por que este filme
A música brasileira nunca foi apenas entretenimento. Ao longo
dos séculos, consolidou-se como território de construção de
identidade, memória e expressão política.
É a partir dessa força, e do paradoxo de um país que projeta sua cultura para o mundo enquanto apaga a própria memória, que MONTREUX se estrutura para enfrentar uma questão central: O que fazemos quando precisamos nos reconhecer numa memória que foi guardada fora de nós?
Com acesso ao acervo viabilizado em parceria com a Claude Nobs Foundation, o filme mobiliza, pela primeira vez, esse material como testemunho histórico e político, em uma narrativa cinematográfica brasileira.




Como o filme é construído
MONTREUX usa a música para percorrer os últimos 50 anos da história do Brasil, a partir de um arquivo preservado fora do país. A forma do filme nasce dessa contradição.
Mais do que organizar uma narrativa sobre o passado, o filme cria um campo de tensão entre tempos, geografias e pontos de vista. A montagem conecta o brilho do palco suíço às cinzas dos museus brasileiros, deixando que o espectador construa o sentido dessa travessia. Nesse deslocamento, a música deixa de ser apenas performance e passa a operar como território de existência.
A narrativa se constrói de forma coral, reunindo diferentes gerações de artistas, pesquisadores e jornalistas que atravessaram o palco de Montreux e a história brasileira. Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Ney Matogrosso, Daniela Mercury, Tulipa Ruiz, Amaro Freitas, entre outros, compõem um mosaico em que a música se revela, ao mesmo tempo, como afirmação, conflito e memória viva.
O tecido narrativo é costurado a partir de 3 fontes: imagens do arquivo do festival, depoimentos contemporâneos e os versos das próprias músicas, tratados não como trilha sonora, mas como documentos políticos.




